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Opinião

15/08/2016 13:50

Lítio, o combustível do futuro

Atualmente o mundo é refém da tecnologia e quase todo aparelho eletrônico tem baterias de lítio, elemento químico também usado em vidros especiais, produtos cerâmicos, farmacêuticos e até em lubrificantes. Trata-se, portanto, de um elemento estratégico e essencial para o desenvolvimento mundial e também para a energia nuclear e até equipamentos bélicos.

A denominação lítio vem do grego lithos, que significa Pedra, e é um metal leve, de alto poder oxidante, raro na crosta terrestre, sendo mais encontrado em diversos sais minerais e na água do mar.

Os maiores produtores mundiais são o Chile (37,9%), Austrália (36,5%) e China (11,3%). Na América do Sul a Bolívia tem grandes reservas e está com empreendimentos visando produzir nos próximos anos 30 mil toneladas/ano, o que corresponderia a 30% da produção mundial, que está na faixa das 100 mil toneladas/ano. O deserto de Atacama, que abrange os territórios da Argentina, Bolívia e norte do Chile, é uma das principais regiões produtora de lítio em forma de sais minerais, presente em antigo lagos, cuja água foi evaporada, assim como em Uyuni, o maior deserto de sal do mundo, localizado na Bolívia. Argentina, Bolívia e Chile possuem cerca de 60% das reservas conhecidas de lítio.

O Brasil, infelizmente, só contribui com 1,3% da produção mundial, explorado quase que totalmente no Estado de Minas Gerais, onde é transformado em carbonato de lítio, um elemento usado principalmente na indústria de vidros e cerâmica. Embora esteja entre os dez principais produtores mundiais, com extração em torno de 400 toneladas por ano, com reservas em torno de 140 mil toneladas, o país produz muito pouco, embora tenha potencialidade para muito mais.

A procura atual pelo litio é imensa, pois se trata da peça-chave na revolução dos carros elétricos, podendo substituir, no futuro, os combustíveis fósseis, principalmente a gasolina e o diesel, altamente poluidores do meio ambiente. Todos nós sabemos que opetróleo gera CO2 e que não é uma energia limpa, enquanto o lítio não é associado com energia fóssil, nem energia química, combustão e/ou queima e sim associado à energia elétrica, sendo, portanto, não poluente.À medida que os custos forem baixando e a tecnologia das baterias recarregáveis de lítio, denominadas de Li-on e Li-Po, forem aperfeiçoadas em termos principalmente de duração, esses veículos elétricos e híbridos se tornarão mais baratos e atraentes, principalmente pelo desempenho.

Estudos do Banco Goldman Sachs prevê que a demanda desse bem mineral deverá crescer dez vezes mais nos próximos dez anos e o preço atual já vem refletindo isso, pois, mesmo com a queda generalizada das commodities, nos dois últimos anos, o lítio subiu mais de 130% nos últimos doze meses, atingindo a casa dos US$ 13.000 por tonelada. O metal, que é denominado no mercado de “petróleo branco” pelo seu alto valor de venda, atingirá uma alta de quase 300% nos próximos dez anos.

Com a aposta da indústria automotiva nas baterias de íon de lítio para seus modelos híbridos e elétricos, a exploração de grandes reservas mundiais desse mineral passou a ser cobiçadas por montadoras e empresas multinacionais. Mineradores em todo o mundo estão se movimentando para pesquisar e descobrir novas ocorrências e criou-se a necessidade de montar uma estratégia para organizar a pesquisa e extração do metal.

Dentro desse contexto, foi criada no Brasil a Rede de Pesquisas, Tecnologias e Desenvolvimentos do Lítio Brasileiro (PTD - Lítio), uma iniciativa de pesquisadores e instituições como universidades e Centros de Pesquisas, como o CETEM/RJ, em parceria com o governo federal, através do Ministério de Ciência e Tecnologia, visando melhorar o nível tecnológico, de pesquisa, exploração e de beneficiamento desse importante metal.

Outra importante iniciativa é o recém-lançado Inova Mineral - Plano de Desenvolvimento, Sustentabilidade e Inovação do Setor Mineral e Transformação Mineral, uma iniciativa conjunta do BNDES e da FINEP, visando selecionar planos de investimentos que contemplem o desenvolvimento tecnológico, produção e comercialização de produtos estratégicos, através de processos e/ou serviços inovadores e, para tanto, o governo federal está disponibilizando recursos estimados da ordem de R$1,18 bilhão.

A Bahia, como não poderia deixar de ser, vem se inserindo nesses programas, objetivando a descoberta deste importante bem mineral e, nesse sentido, a CBPM/SDE tem procurado analisar com bastante carinho esse assunto, mesmo sabendo que o nosso estado não está inserida entre as regiões consideradas promissoras para esse metal no Brasil, as quais estão concentradas nos estados do Rio, Minas Gerais e Espírito Santo, como é o caso da região do Médio Jequitinhonha, onde ficam mais de 90% das ocorrências de lítio conhecidas.

Rafael Avena Neto
Geólogo e Diretor Técnico da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral - CBPM


Fonte: Bahia Econômica

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