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30/08/2017 08:50

Para especialista, governo tenta minimizar reação contrária à mineração na Amazônia a uma falha de comunicação

Rodrigo Medeiros, vice-presidente da ONG Conservação Internacional Brasil, diz que o recuo do governo Temer na questão da Reserva Nacional de Cobre e Associados (Renca) é uma tentativa de minimizar o problema a uma mera falha de comunicação. Para ele, a discussão sobre qual a melhor forma de se aproveitar os recursos da região é o que deve estar em pauta.

Como você avalia a decisão do governo de editar um novo decreto para extinguir a Renca?

Esse recuo do governo é uma forma de lidar com a questão como se fosse um mero problema de comunicação. Mas não é uma questão de comunicação. O foco da discussão deve ser que tipo de aproveitamento econômico queremos dessa região. Não houve esse debate com a sociedade. Mas a intenção de abrir a atividade de mineração ao setor privado será restrita a 15% a 30% da Renca, segundo estimativas do setor mineral…

O problema também não se resume a uma questão de escala. O Amapá (no qual fica parte da Renca) é o estado que abriga a Floresta Amazômica com a maior parte do território protegido. Mais de 80% do estado são constituídos de unidades de conservação, ambientais ou indígenas. Foi uma escolha do estado.

Que tipo de ameaça a mineração pode representar às unidades de conservação?

O problema são quais as salvaguardas que vão acompanhar a atividade mineradora e se elas serão eficazes. Todo empreendimento econômico atrai outras atividades. É o vendedor da birosca, a prostituição, a migração de pessoas que pode afetar o entorno da floresta, fazer pressão sobre as unidades de conservação.

Que outras alternativas haveria para o desenvolvimento econômico da região?

É um debate que temos que fazer. Como queremos aproveitar os recursos? É um por meio de um manejo florestal, explorando a madeira? É por meio da mineração? Que outras atividades podemos ter lá? Dá forma como foi editado o decreto, a sociedade não está fazendo uma escolha. O jogo já está definido.

Fonte: O Globo

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