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Infraestrutura

28/11/2017 13:50

Consórcio chinês pode construir ferrovia na Bahia

A China Railway Construction Corporation (CRCC), uma das maiores empresas ferroviárias do mundo, pode comandar um consórcio para construir a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) e integrá-la ao Porto Sul, em Ilhéus. A obra de infraestrutura é considerada fundamental para que a Bahia Mineração (Bamin) dê prosseguimento ao projeto de minério de ferro Pedra de Ferro, em Caetité (BA).

O projeto da Bamin inclui a mina de minério de ferro Pedra de Ferro, um terminal de águas profundas dentro do Porto Sul e parte da ferrovia Fiol, que liga a mina ao porto.

Hoje, a Fiol tem um pequeno trecho em operação. A intenção dos chineses é escoar soja, segundo principal produto que eles compram no país, atrás do minério de ferro, do Centro-Oeste até o porto baiano. Mas também há um interesse geopolítico. Eles querem criar alternativas ao canal do Panamá, obra bancada pelos EUA no século passado e que os asiáticos veem ainda hoje sob controle dos americanos.

Para criar essa alternativa, a Fiol terá cerca de 1.500 quilômetros e cruzará com a Ferrovia Norte-Sul (FNS).

Hoje, os grãos precisam seguir de caminhões até o porto de Santos (SP) ou ser transportados até um entroncamento da Ferrovia Norte-Sul rumo ao porto de Itaqui, no Maranhão. No entanto, existem dificuldades de passagem no trecho controlado pela mineradora Vale, único ponto de acesso até o porto do Nordeste.

O plano dos chineses inclui outro braço ferroviário, a partir da Ferrovia Norte-Sul, que seguirá de Campinorte (GO) até Lucas do Rio Verde (MT) e, de lá, até Porto Velho (RO). Essa linha continuará rumo ao Peru até um porto no oceano Pacífico.

O projeto foi apresentado pelo grupo chinês a representantes do governo brasileiro durante a viagem do presidente Michel Temer à China, no fim de agosto.

Desde então, o governo da Bahia já contratou a consultoria Accenture para desenvolver o projeto. Como a Fiol já é uma ferrovia prioritária da União, o governo baiano se comprometeu a transferir o projeto para o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) assim que estiver pronto.

A expectativa é que isso ocorra até o início do próximo ano para que a ferrovia seja licitada ainda no governo Temer. Pelas conversas iniciais, os chineses teriam de entrar no leilão, embora tenham manifestado a intenção de realizar a obra por conta própria desde que o governo desse autorização.

O apetite dos chineses não termina aí. Três outros grupos também se apresentaram para formar um consórcio e construir os 934 quilômetros da Ferrogrão, entre Sinop (MT) e Miritituba (PA). O projeto está em consulta pública e deverá consumir cerca de R$ 12 bilhões.

Nas conversas, o governo chinês deixou claro para os brasileiros seu interesse em ter a segurança de fornecimento de energia e alimentos. Por isso, não mede esforços nem recursos para investir em infraestrutura.
De janeiro a outubro, os chineses compraram US$ 19 bilhões em soja do Brasil, origem de 59% de todo o grão importado pelos asiáticos.

No mesmo período, o país importou US$ 5,5 bilhões em petróleo do Brasil. Outra explicação é que o projeto permitiria à China uma alternativa ao canal do Panamá, que, segundo eles, é "controlado" pelos EUA. As informações são da Folha de S.Paulo.

Fonte: Notícias de Mineração Brasil

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