Infraestrutura

23/03/2018 14:20

Chineses querem começar logo obras de ferrovia na Bahia e do Porto Sul

Executivos da Crec e da CCCC, empresas chinesas que formam um consórcio com a Bahia Mineração (Bamin) para a construção do Porto Sul e da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), declararam em reunião junto ao governo do Estado da Bahia que pretendem começar as atividades o quanto antes. O encontro aconteceu na terça-feira (20), na Governadoria, em Salvador (BA).

Os representantes das empresas chinesas se reuniram com o governador do Estado, Rui Costa (PT); o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Jaques Wagner; e o secretário da Casa Civil, Bruno Dauster. Além do encontro, o grupo de 11 chineses visitou nesta semana a mina de minério de ferro Pedra de Ferro, em Caetité (BA), as obras da Fiol e o local onde será construído o Porto Sul, em Ilhéus.

"Nos reunimos com o consórcio formado por empresas chinesas que estão se preparando para disputar o leilão [da Fiol], que o governo federal deve publicar ainda esse ano. A minha expectativa é de que possamos ter uma solução definitiva sobre esses dois empreendimentos [Fiol e Porto Sul] ainda em 2018", declarou o governador Rui Costa, acrescentando que o trabalho realizado pelo Estado tem o objetivo de ser concluído até o final de 2018.

Segundo o governador da Bahia, o Estado está realizando os últimos ajustes para que, no início de 2019, seja retomada a obra da ferrovia e um "início rápido e consistente do Porto Sul". "Daremos um passo expressivo para o desenvolvimento da Bahia e levaremos ao interior do estado uma infraestrutura capaz de acelerar o crescimento e a oportunidade de emprego para o nosso povo", afirmou.

O presidente da Bamin, controlada pelo grupo cazaque Eurasian Resources Group (ERG), Eduardo Ledsham, afirmou que o encontro é importante para que os participantes do consórcio conheçam o potencial de cada um dos empreendimentos.

"Essas negociações fazem parte do cronograma que já foi definido desde o ano passado. Estamos recebendo a visita do representante dos controladores de uma das maiores empresas do consórcio e temos uma programação bastante intensa até o segundo semestre. A partir daí, é possível obter uma avaliação e ter o conhecimento cada vez melhor dos ativos tanto da mina quanto do Porto Sul e da Fiol", disse.

No início de fevereiro, outros executivos da Crec e CCCC estiveram na Governadoria, quando, na presença do governador, assinaram acordo com a Bamin que permitiu que as instituições discutam os negócios do projeto para a formação de uma joint venture. Em dezembro passado, o Governo do Estado e a Bamin firmaram acordo na China com o cronograma de atividades iniciais para as obras do Porto Sul, que já possui todas as licenças necessárias para início da construção.

Os encontros no Brasil foram fruto de uma reunião ocorrida em Pequim ainda em setembro do ano passado. Na ocasião, Rui Costa assinou um acordo com a ERG, controladora da Bamin, para financiamento do projeto do Porto Sul, da Fiol e da mina de Pedra de Ferro. O documento estabelece que as partes desejam cooperar para o desenvolvimento totalmente integrado do Porto Sul, da Fiol e da mina, já que os três projetos estão interligados.

O Porto Sul tem investimento total previsto de R$ 2,7 bilhões e será construído na localidade de Aritaguá, no litoral norte de Ilhéus. Pelo porto será escoado, principalmente, o minério de ferro extraído pela Bamin em Caetité. A previsão é que cerca de 20 milhões de toneladas ao ano de minério de ferro de alta qualidade sejam escoados pelo prazo de até 30 anos.

O minério sairá de Caetité e chegará ao porto, em Ilhéus, pela da Ferrovia Oeste-Leste, que terá extensão de 1.527 quilômetros, sendo 1.100 quilômetros no estado da Bahia. A ferrovia terá capacidade para transporte de 60 milhões de toneladas por ano.

Assembleia Legislativa

Outra atividade que fez parte da agenda dos executivos chineses no Brasil foi uma visita a Assembleia Legislativa da Bahia (Alba). Segundo Angelo Coronel (PSD), presidente da Casa, a Alba se dispõe a resolver as questões legais que envolvem os projetos da Fiol e do Porto Sul. "Se houver um obstáculo, tenho certeza que os 63 deputados desta Casa irão se empenhar para resolvê-lo com a aprovação de um projeto de lei", disse Coronel.

O gerente de Investimento e Desenvolvimento da China Railway Group, Huiguang Feng, falou sobre a deferência de ser recebido pelo presidente do Parlamento baiano e disse que o projeto integrado da ferrovia, porto e produção de ferro é uma aposta concreta na economia da Bahia. "Estamos muito satisfeitos com os negócios que estamos fazendo. O investimento é muito importante para a economia baiana, mas também é muito importante para os interesses chineses", disse Feng.

"O ferro de Caetité tem qualidade superior, semelhante ao de Carajás e melhor do que o do Quadrilátero Ferrífero, no centro-sul de Minas. Então, interessa muito à China que é uma das maiores economias do mundo e não para de crescer. O projeto conjugado do porto e da ferrovia vai transportar não só o minério de Caetité, mas os fertilizantes para a produção agrícola do Oeste e ajudar a escoar esta mesma produção para o resto do país", afirmou Coronel.

De acordo com Ledsham, que também participou do encontro, o apoio à ferrovia e ao porto são fundamentais para o projeto da Bamin. O executivo afirmou que as obras do porto devem ser concluídas em um período de 38 meses. A Fiol conta atualmente com 70% das obras concluídas.

"Então sou realista/otimista: com o atual preço de US$ 70 da tonelada do ferro no mercado internacional, o projeto é muito mais que viável", disse Ledsham. Com informações da Secretaria de Comunicação da Bahia e da Assembleia Legislativa do Estado.

Fonte: Notícias de Mineração Brasil

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