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21/03/2019 08:50

Grupo chinês Crec estuda disputar leilão da Fiol

A China Railway Engineering Corporation (Crec), gigante chinesa de infraestrutura, estuda disputar o leilão da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), que o governo federal projeta fazer no fim de 2019. A companhia mantém uma equipe no Brasil há três anos avaliando potenciais projetos para entrar no país. Além do trecho da Fiol, entre Ilhéus e Caetité (BA), a empresa aposta na ponte Salvador-Itaparica, entre os municípios baianos de Salvador e Vera Cruz, prevista para ir a leilão neste ano.

Somando todos os projetos que a Crec estuda no país, o volume de investimentos chega a US$ 5 bilhões, disse Wang Kun, vice-presidente de negócios internacionais, em entrevista ao Valor. "Vemos o mercado brasileiro como estratégico para nosso crescimento na América Latina."

Projetada para o escoamento de minério e de grãos da Bahia, a Fiol demanda cerca de R$ 3 bilhões em investimentos, segundo estimativas do governo. O projeto completo vai de Ilhéus a Figueirópolis (TO), num traçado de 1.527 km, mas atualmente apenas o trecho entre Ilhéus e Caetité, com 537 km, está qualificado para ser licitado.

A previsão do governo é que o leilão ocorra no quarto trimestre. A vencedora será a responsável por manter e ampliar a infraestrutura da ferrovia, além de cuidar da operação de transporte, por 33 anos. Atualmente, é aguardada a publicação do relatório final da audiência pública pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para a seguir enviar ao Tribunal de Contas da União (TCU).

A construção e operação da Ponte Salvador-Itaparica, por sua vez, irá demandar investimentos de R$ 5,3 bilhões, sendo que o governo da Bahia aportará R$ 1,2 bilhão em duas tranches: R$ 660 milhões e R$ 540 milhões no quarto e no quinto ano de construção, respectivamente. O contrato inclui acessos viários em Salvador, com extensão de 4,6 km; nova rodovia expressa na Ilha de Itaparica, com 21,41 km; e recuperação e ampliação de trecho da rodovia BA-001.

O Valor informou em fevereiro que a China Communications Construction Company (CCCC) e a China Railway 20 Bureau Group (CR20) seriam as únicas representantes chinesas na disputa pela ponte baiana, em consórcio. A Crec, entretanto, diz que também pretende entrar na disputa. "Até onde sabemos, não há nenhum fator impeditivo na participação desse projeto", disse Kun, alegando independência da empresa. "Temos ações negociadas em Xangai e Hong Kong e nossos negócios são feitos baseados unicamente em nossas análises independentes."

A Crec registrou lucro de 9,5 bilhões de yuans (US$ 1,4 bilhão) no primeiro semestre de 2018, segundo as informações financeiras mais recentes disponíveis. O montante representa alta de 24% em comparação ao mesmo período de 2017. A receita avançou 6%, para 316,1 bilhões de yuans (US$ 47,2 bilhões).

A Crec já assinou memorandos de entendimento com o governo baiano para estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental tanto da Fiol quanto da ponte Salvador-Itaparica entre 2016 e 2018. Para os estudos da ponte, a companhia trouxe da China cerca de 30 engenheiros especializados em construções com as mesmas características. Isso serviu de base para as sugestões enviadas por ela no período de consulta pública, a ser encerrado no fim do mês.

O plano, diz Kun, é que o projeto se torne mais viável, tendo em vista os grandes riscos ainda envolvidos, como a falta de informações geológicas. "Considerando a profundidade do local, ainda há muitas incertezas", disse o executivo.

Outro ativo ferroviário importante que deve ser licitado neste ano é a Ferrovia Norte-Sul. Sobre o projeto, Kun disse apenas que a empresa analisa oportunidades em ferrovias no país, uma de suas áreas de atuação mais fortes. Foi responsável por 60% da quilometragem ferroviária da China. Foi categórico: "Entre as duas, temos mais interesse no projeto da Fiol".


Fonte: Revista Ferroviária

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